sexta-feira, 1 de abril de 2011

ACORDA RIO DE JANEIRO!!!

Jair Bolsonaro, deputado federal do PP do Rio de Janeiro, representa uma parcela do povo fluminense, isto é fato!

Ficar indignada com este senhor é compreensível, pois ele reproduz um tempo onde queremos que fique enterrado na história. Mas, o Sr.Bolsonaro tem todo o direito de falar o que quiser, mesmo que venha de encontro aos direitos civis conquistados durante a história da democracia brasileira. O que preocupa, e muito, é a legião de seguidores dessas idéias retrógradas, reacionárias, que em pleno século 21 ainda são aplaudidas e conclamadas através do voto popular.

Sou carioca e falo com pesar destes conterrâneos que defendem a tortura, a ditadura militar, a pena de morte, a homofobia e a discriminação racial. O pior disso tudo é que o clã dos “Bolsonaros” está se perpetuando. Seu filho mais novo, Vereador Carlos Bolsonaro, defende a redução da maioridade penal e o controle da natalidade como formas de combate à violência. Já seu filho mais velho, Deputado Estadual Flávio Bolsonaro, além de apoiar as mesmas questões anteriormente citadas, defende que “os direitos humanos sejam aplicados para humanos direitos e não para vagabundos”, como também é contra ao “enriquecimento de assaltantes e seqüestradores ditos perseguidos pela ditadura militar”.

Hoje nos deparamos com as questões discriminatórias levantadas pelo “Pai Bolsonaro”, “Comandante Bolsonaro”, “Torturador Bolsonaro”, “Ditador Bolsonaro”... que são pertinentes para seus filhos, para os seus comandados e para os que não desejam uma sociedade igualitária.

Como diz meu sábio pai: “Tem gente pra tudo nesse mundo e ainda sobra gente”.

Acordem conterrâneos... 2012 se aproxima!




quinta-feira, 31 de março de 2011

COM AÇÚCAR E COM AFETO

"Sentimos saudade de certos momentos da nossa vida e de certos momentos de pessoas que passaram por ela." Carlos Drummond de Andrade



"O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo..." Mário Quintana




"Há quem saiba usar palavras, mas poucos são aqueles que constroem frases." Prophet




"Não queremos perder, nem deveríamos perder: saúde, pessoas, posição, dignidade ou confiança." Lya Luft




"Não é amigo aquele que alardeia a amizade: é traficante; a amizade sente-se, não se diz." Machado de Assis



"Mas você - eu não posso e nem quero explicar, eu agradeço." Clarice Lispector




domingo, 27 de março de 2011

Isto é indecente!

Na manhã da última sexta-feira, segundo informações apuradas por este blog, as redações da imprensa paulista teriam voltado a ser bombardeadas por telefonemas de emissários ligados ao ex-governador José Serra. Esses telefonemas teriam exigido que o escândalo do Tietê sumisse das pautas.
Pouco após o alvorecer de 26 de março último, o portal UOL publicou reportagem dando conta de que foram jogados no lixo 2 bilhões de reais gastos durante 2005 e 2006 para pôr fim aos constantes transbordamentos do rio Tietê, pois a limpeza do rio foi interrompida por Serra, sucessor de Geraldo Alckmin, que fez a bilionária obra de rebaixamento da calha do rio.
A reportagem do UOL teria sido produto de uma revolta que, segundo as fontes, cresce nas redações da imprensa paulista. Em cursos de jornalismo de todo país, o acobertamento do escândalo do Tietê já teria se tornado referência de promiscuidade entre o poder público e a imprensa.
A dimensão do escândalo é tão ampla que se esperava que, com o UOL repercutindo, houvesse maior veiculação nacional das denúncias contra Serra, sobretudo no Jornal Nacional. Apesar de algumas veiculações no rádio e amplamente disseminadas na internet, nas tevês e nos jornais deste sábado a repercussão foi pífia ou inexistente.
Estaria correndo intramuros, na imprensa paulista, que a pouca repercussão de uma notícia antiga, a despeito das perdas imensas – patrimoniais e de vidas humanas – que causou, dever-se-ia a ameaça que Serra estaria fazendo de que, se o escândalo provocar investigação séria por pressão da imprensa, fará “revelações”.
O grande temor de Serra seria a comparação entre o aumento exponencial dos gastos com publicidade oficial durante o período de redução dos gastos com a limpeza do rio Tietê. Acredita-se que, para não estourar o orçamento, Serra retirou de vários investimentos do Estado os recursos usados para se promover visando a eleição de 2010.
Segundo o UOL, “(…) a bancada oposicionista da Assembleia Legislativa anunciou (…) que irá fazer um requerimento para que o secretário estadual de Saneamento e Recursos Hídricos, o deputado estadual Edson Giriboni, compareça ao Legislativo para explicar os motivos que levaram as autoridades a suspender o trabalho de desassoreamento em 2006, 2007 e 2008”.
Todavia, a oposição paulista tem dúvidas de que o convite ao secretário será atendido, pois, na forma como será feito o tal requerimento, o convidado poderá comparecer ou não. Ainda segundo a oposição, se houvesse convocação a bancada governista a derrubaria, como já vez várias vezes valendo-se da maioria que tem.
Vereador da Câmara Municipal de São Paulo ouvido por este blog afirma que a única possibilidade de se apurar responsabilidades pelas tragédias geradas pela drástica redução da limpeza do rio Tietê será através de pressão da imprensa.
Se as denúncias do UOL ficarem restritas à internet, portanto, várias fontes afirmam que nem o Ministério Público de São Paulo, nem o Poder Legislativo tomarão qualquer medida no sentido de esclarecer o caso, restando à população paulistana a impunidade do crime de redução de obras que redundou em tragédias que todos conhecem.
A única possibilidade de o Ministério Público Estadual pelo menos se pronunciar sobre o assunto será através da provocação. Qualquer parlamentar paulista ou paulistano – ou qualquer outro cidadão – pode provocar o MPE. Resta saber se alguém se habilitará a fazê-lo, pois Serra estaria disposto a retaliar quem tente.
Fonte: Blog da Cidadania

sábado, 12 de março de 2011

Ando preocupada com o futuro do planeta

Ando preocupada com o futuro do planeta.
Penso que o mundo está aos berros para que façamos alguma coisa.
Hoje, faço um paralelo com uma criança que chora quando precisa de atenção ou que faz birra quando ninguém percebe o que ela quer. Se for um bebê, a gente pega no colo e canta uma canção de ninar, ou dá de mamar, ou troca a fralda... CUIDAR é a palavra!
Andamos cuidando do que é concreto: o dinheiro, os bens, o patrimônio acumulado, do corpo para ficar em forma. E onde anda o cuidado com quem está mais próximo? Será que paramos para perceber como andamos cuidando daqueles que nos são caros? Não me refiro aos cuidados que o dinheiro pode proporcionar, mas falo do afeto, atenção, respeito e amor...
Sei que posso parecer meio piegas neste momento em que me torno avó de primeira viagem ou porque hoje é meu aniversário e parece que o meu tempo aqui neste planeta não é mais o de sonhos de adolescente onde tudo é possível. Mas, quando sinto em meus braços um ser tão pequenininho, que tem tanta coisa pela frente pra viver, acabo me tornando protetora de quem se quer tanto bem. Ah! O que é isso que dá na gente vendo a roda da vida rodando que nem ciranda? O que é isso que faz a gente parar e ver o tempo que perdemos com bobagens e não nos damos conta que a beleza da vida é fruto do SABER CUIDAR.
Quando plantamos uma semente e vemos o seu germinar e depois se tornar uma linda flor ou uma bela árvore sentimos um tremendo bem estar, não é? Foi o cuidado que nos proporcionou esta alegria. O mesmo sentimos quando cuidamos de gente, de bichos, cultivamos amizades e  fazemos o amor parte do processo deste cuidado.  
E aí me pego pensando num amor que é tão próximo, mas que parece ser distante - a Terra. Que cuidado temos com este planeta que berra em tantos lugares em tão curto espaço de tempo? Hoje vemos pela TV o terremoto no Japão, as imagens do tsunami que arrasou a costa leste deste país. Foi tão impressionante que parecia que estava vendo um filme de ficção científica. Será que já nos esquecemos dos outros terremotos e tsunamis que aconteceram com grande poder de destruição? Só pra citar os mais recentes neste século:
janeiro de 2010 – Haiti – 200 mil mortos
abril de 2009 – Itália – 207 mortos
maio de 2008  - China – 87 mil mortos
agosto de 2007 – Peru – 519 mortos
outubro de 2005 – Paquistão – 73 mil mortos
dezembro de 2004 – Oceano Índico- 300 mil mortos
dezembro de 2003 – Iran – 26 mil mortos
janeiro de 2001 – Índia – 20 mil mortos

Então, este ser vivo chamado Terra berra e grita como uma criança que está pedindo atenção e precisa ser cuidada. Não podemos pegá-la no colo ou cantar uma canção de ninar (quem me dera poder e resolver o tal “berreiro”), mas podemos tantas outras coisas... O cuidado com o planeta depende de atenção, carinho, afeto e respeito. Estes valores são ignorados pelos maiores poluidores do mundo como a China e os Estados Unidos, porque estão mais interessados em cuidar dos interesses financeiros e que se dane não assinar o Protocolo de Kioto, não interessa se morrem milhares de pessoas que habitam a Terra pelo aquecimento global.
Não importa se as enchentes arrasam as vidas de tantos brasileiros em diversos estados do país se minha casa está de pé, se não perdi nenhum parente, enfim... mandar uma cesta básica para os desabrigados faz que nos sintamos solidários e pronto! Podemos desmatar novamente, as fábricas continuam emitindo fumaça,  joga-se lixo em toda parte, andamos de carro pra todo o lado, descartamos o óleo de cozinha na pia, enfim... Até a próxima enchente ou terremoto, para sermos solidários e mandarmos, novamente, a nossa contribuição em donativos ou alimentos.
A Terra berra e queria muito poder cantar uma canção de ninar, como faço pra Luiza, e assim, quem sabe, ela ficaria bem quietinha e dormiria em paz.
Ando preocupada com o futuro do planeta e só me dá vontade de chorar...

Fazenda da Laje: Para Quem?

Moradia adequada é muito mais do que um teto e quatro paredes. Esta proposta de construção de milhares de unidades habitacionais na Fazenda da Laje representa uma concepção atrasada e excludente de cidade. Fazenda da Laje, lugar dos mortos esquecidos e sem vez no cemitério São João Batista, abandonados em uma trilha que dizem para o céu, para alento dos familiares.

Lugar de cães rejeitados pelos seres humanos, cuidados da maneira possível no canil mantido com sacrifício e carinho pela Combina. Região onde funcionava também a Escola Comunitária Vale de Luz, espaço onde crianças esquecidas pela nossa sociedade têm a oportunidade de desenvolver o pensar, o sentir e o querer. Funcionava, pois a Vale de Luz, após as chuvas de 2007, em função da dificuldade de acesso, transporte, além da situação de risco, mudou-se para o centro do distrito de Conselheiro Paulino.

Fazenda da Laje, periferia, distante do Centro e das oportunidades, distante do emprego, do acesso ao lazer e à cultura. Distante de tudo, principalmente distante da possibilidade de reconstruir uma vida de maneira digna. Fazenda da Laje, vizinha do Loteamento Floresta, bairro com os piores indicadores sociais do município, que muito mais do que ter um Floresta II ao seu lado, necessita de investimentos em equipamentos urbanos de educação, saúde, cultura e lazer.

A exclusão sócio-territorial não é novidade em nosso país. Na década de 60, a política das elites conservadoras de grandes cidades como Rio e São Paulo, retirava comunidades populares das áreas consideradas nobres e removiam-nas para regiões distantes e sem infraestrutura. Foi assim, por exemplo, que surgiu a Cidade de Deus, no Rio, mundialmente conhecida pelo filme de mesmo nome. É essa a proposta para Nova Friburgo? É assim que a cidade vai ser reconstruída? Com mais exclusão, tornando-se uma cidade cada vez mais partida? No Centro e nos bairros nobres a Suíça “limpinha”, na periferia o Haiti.

O Capítulo IV do Plano Diretor Participativo tem como título “ Da Moradia Digna e da Inclusão Territorial”, cujas ações prioritárias são a produção de moradias de interesse social nas áreas urbanas com melhores condições de acesso ao trabalho e ao lazer e providas de infra-estrutura e de acesso aos equipamentos urbanos sociais. Este projeto habitacional da Fazenda da Laje é absolutamente contrário ao disposto na legislação municipal, produzida através de ampla participação e debate na sociedade, como foi o caso do Plano Diretor.

A Fazenda da Laje está situada a mais de 10 quilômetros do Centro da cidade, existem muitas áreas disponíveis para construções de habitações de interesse social muito mais próximas da cidade e já dotadas de infraestrutura, como nos casos da Chácara do Paraíso, Nova Suíça, São Geraldo e Cônego, apenas para citar alguns exemplos.

É necessário que a sociedade civil se organize e não permita que a reconstrução de Nova Friburgo seja baseada nos velhos modelos excludentes. Não reproduza, principalmente, a desigualdade sócio-territorial já expressa em seu território justamente pela ausência de políticas públicas e de planejamento urbano comprometidas com os reais interesses da maioria da população, que, no fim, é quem mais sofre com os eventos climáticos extremos, como o que vivemos recentemente.
Sylvio Montenegro

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Dois fatos distintos, em continentes distantes, mas com o mesmo protagonista: O POVO!

Ensaio da União da Ilha
Centenas de milhares de manifestantes antigoverno se reuniram no maior protesto desde o início da revolta contra Mubarak

Rio de Janeiro - O incêndio acontecido na Cidade do Samba, dia 7 de fevereiro, onde as escolas que foram atingidas: Acadêmicos do Grande Rio, União da Ilha do Governador e Portela, tentam recuperar os carros alegóricos e fantasias num trabalho frenético. Máquinas de costura foram doadas pelas comunidades para que as escolas pudessem agilizar os trabalhos.  Muitos componentes passam o dia trabalhando  e deixando suas casas e as famílias para se dedicarem em tempo integral à escola do coração. 

Cairo - A vitória do povo egípcio contra o ditador Hosnin Mubarak, que renunciou ao poder no dia 11 de fevereiro, está em festa. A derrocada de Mubarak, depois de 18 dias de protestos, encantaram o  mundo como exemplo de resistência popular e este evento estimulou manifestações pela democracia em mais dois países árabes neste final de semana: Argélia e Iêmen.

Alguém duvida que se o povo está unido por um mesmo ideal pode fazer milagres?

Vimos que nas catástrofes o povo tem um grande poder de articulação e rapidamente as coisas acontecem. Sem líder... Chefia.... Apenas a população imbuída em minimizar o sofrimento. Presenciamos isso várias vezes na ajuda solidária à população do sul do Brasil e agora na região serrana do Rio de Janeiro.

E se alguém não acredita que o carnaval das 3 escolas que foram atingidas pelo incêndio será maravilhoso irá se enganar redondamente. Acho que esse carnaval, para as referidas escolas,  além de bonito  vem extremamente vibrante, pois há o sentido da paixão e amor pela agremiação. Assim, a união destes valores irá fazer toda a diferença através dos quesitos Harmonia e Evolução. Cantar amor com a alma e demonstrar na dança... Corpo e alma... perfeito!

No Egito homens e mulheres estão unidos numa mesma causa... Sem líderes ou chefia. É o povo em todo o sentido de querer viver a democracia e participar da reforma política do país. Uns resistem com palavras de ordem nas praças e ruas, outros estão varrendo o chão destas ruas e pintando os meio- fios das calçadas em sinal do desejo de iniciar a reconstrução do Egito.

Eu não duvido da força do povo...
Que bom que faço parte dele!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A coragem feminina na reconstrução de uma cidade mais humana e integrada com a Natureza

A calamidade que se abateu sobre a Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro vem sendo construída pela própria sociedade desde há alguns anos. Refiro-me aqui desde o aquecimento global até as ações pessoais de cada indivíduo e que fazem parte de todos os fatores que contribuíram e ainda contribuem para tanta destruição.
As grandes precipitações de chuvas não são inéditas nessa região e são perfeitamente explicáveis por uma série de consequências naturais do clima e da geografia da própria localidade. O diferencial desses últimos tempos é o grande índice de água que se precipita de uma só vez.
O exemplo de Cubatão, durante os anos 80, onde a maior vilã da desgraça foi a poluição, os fatos se repetem na Região Serrana do nosso Estado. Segundo estudos e palestras ministradas pelo presidente da Fundação Natureza, Dr. Aristoteles de Queiroz Filho, recentemente falecido, a Região Serrana, principalmente Nova Friburgo, manifesta todos os tipos de poluição e que se apresentam em um aumento alarmante nesses últimos anos. Podemos aqui exemplificar algumas que são facilmente identificáveis como: O aumento do tráfego urbano e rural; o descarte indiscriminado de todos os tipos de lixo; a má utilização do solo para moradia e agricultura em áreas de risco; o comprometimento do ar pelas queimadas nas montanhas e pela queima de lixos tóxicos seja das grandes, médias ou pequenas indústrias; o desmatamento nas áreas de nascentes e o despejo de esgoto doméstico e industrial nas águas de córregos e rios e o grande avanço de construções irregulares nas áreas de risco.
A Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro está pagando muito caro pelo desrespeito ao meio em que vive e, como sempre, quem mais sofre são os mais pobres e, principalmente, as mulheres e seus filhos que são a maioria nas imensas filas em busca de água potável, alimentos e roupas. Essas mulheres também são a maioria nas cozinhas dos abrigos, na ajuda comunitária, na limpeza dos destroços e das ruas da cidade. Elas também contribuem imprescindivelmente nas organizações militares e civis. São as que mais ajudam e as que mais sofrem
Perdemos muitas pessoas queridas, até mesmo pessoas que também lutavam arduamente para uma região melhor, como a companheira Leni Reis que sempre participou ativamente como Presidente de Associação de Moradores de Campo do Coelho, fundadora da Cooperativa da Mulher Rural; Ativista da Fundação Natureza e Liderança Comunitária do Ser Mulher entre muitas outras ações importantes.
Perdemos pessoas, moradias e bens, mas os 56% dos habitantes da Região atingida pelas calamidades são de mulheres que não perderam a capacidade de solidariedade, persistência e vontade de reconstruir uma nova cidade nos moldes do respeito à dignidade humana e integrada à Mãe Natureza.
Por: Laura Mury - lauramury@fundacaonatureza.org.br
Laura Mury é Professora, Gestora em Direitos Humanos, Diretora do Tecle Mulher-Assessoria e Pesquisa no âmbito dos Direitos da Mulher; Presidenta do COMSEA-NF; Presidenta da Rádio Comunidade Friburgo; Coordenadora Geral da Fundação Natureza e Membro da AFI.

Mulheres lado a lado com os homens nas manifestações do Egito

 Destapadas ou cobertas, um grande número de mulheres tem participado nas manifestações contra o regime egípcio.
Um ato de coragem duplo num país, onde as mulheres ainda podem ser consideradas seres inferiores e não ter igual acesso à educação e ao trabalho.
Um ato de coragem duplo num país onde o assédio sexual é considerado um cancro social.
“Eu acho que o Egito se tornou um país. Desde a Irmandade Muçulmana aos comunistas, todos têm o direito de partilhar o poder neste país. Demita-se! Toda a gente neste país lhe pede para se demitir. Acabou! É suficiente! Basta!”, apela uma mulher cristã.
“Todos nós somos um só, nunca nos vamos separar”, diz uma muçulmana, que abraça uma cristã.
“Eu acho que é fantástico! Acho que eles devem continuar e devem manter o espírito. Se ele é teimoso, nós também somos, mais do que ele”, garante uma jovem. A amiga que está ao seu lado conta o que ouviram antes de ir para a Praça Tahrir: “Disseram-nos que ia haver assédio sexual aqui e não vimos nada disso. Estes sim são verdadeiros homens!”
“Temos orgulho neles”, garante a jovem, enquanto a sua amiga acrescenta: “Temos orgulho de sermos egípcias. Pela primeira vez, temos orgulho de sermos egípcias”.
“Os protestos na praça Tahrir estão a mudar muitas coisas no Egito e não apenas o destino de Mubarak. Estas mulheres estão a manifestar-se lado a lado com os homens. A sua revolução é dupla: derrubar com o regime e romper com alguns preconceitos”, afirma o enviado especial da Euronews ao Cairo, Luis Carballo.
Via: Euronews

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

De Quem é a Culpa – Chuvas 2011 – Parte I

Para quem gosta de apontar culpados, poderíamos dizer que o primeiro responsável foi D. João VI, que, em 16 de maio de 1.818, assinou decreto autorizando o estabelecimento de uma colônia suíça na então Fazenda do Morro Queimado. Como parte de um projeto de "branqueamento" da população brasileira, centenas de famílias foram alojadas às margens do rio Bengalas, nas suas áreas de várzea, e logo sofreram com as primeiras enchentes.

Posteriormente receberam suas glebas, divididas sem nenhum critério. Foram ocupadas encostas, vales e margens de rios. Esse tipo de ocupação perdurou ao longo dos quase dois séculos de existência de Nova Friburgo. Quantos rios e córregos do município tiveram seus cursos retificados, como o Bengalas? Quantos tiveram suas margens ocupadas e seus leitos estrangulados, como o rio Cônego e o córrego dos Inhames? Quantos outros foram transformados em galerias subterrâneas, como o que agora retomou seu espaço na Vila Amélia?

O problema da ocupação desordenada, que não é só do pobre, vide o teleférico e o Parque da Pedra, não se resolverá em um ou dois anos, provavelmente nem uma década seja suficiente para corrigir os erros cometidos em dois séculos de vida do município. É preciso um novo modelo de desenvolvimento, e boa parte dele está expresso no Plano Diretor Participativo, tornado lei municipal em 2007.

Não há registro na história de Nova Friburgo de uma chuva de tamanha magnitude em tão curto espaço de tempo. Quando um fenômeno como esse acontece em área desabitada por humanos, ainda assim as conseqüências são dramáticas. A geografia da região se transforma, os deslizamentos movimentam grandes quantidades de terra, rochas e árvores, modificando a topografia das encostas, dos vales e os cursos dos rios. Já em regiões povoadas, assume as feições trágicas a que assistimos estarrecidos.

Com o conhecimento e a técnica atual pode-se minimizar alguns efeitos das fortes chuvas, mas não evitar completamente os seus terríveis danos. Monitoramento e sistemas de alerta podem servir para poupar vidas humanas e diminuir as mortes. Estudos como os que foram realizados pela prefeitura na gestão passada, como o Plano Municipal de Redução de Riscos e o Plano de Macrodrenagem, quando realizadas as obras necessárias, que exigem recursos do Estado e da União, pois custam muito mais do que o orçamento do município suporta, podem diminuir também a perda de vidas e os danos materiais. 

Investimentos em habitação popular também são fundamentais. Sem subsídio público, como o que existe no programa Minha Casa, Minha Vida, não se resolve o problema das ocupações das áreas de proteção permanente e das áreas de risco, que são as que não têm valor para o mercado imobiliário e, por este motivo, as que sobram para a população de baixa renda.

Inconformados com a nossa impotência diante dos fenômenos naturais, nos acostumamos a sair em busca de culpados. As consequências poderiam ser minoradas, sem dúvida, mas não neste modelo de organização política, econômica e social em que vivemos. O ordenamento territorial, a habitação, o saneamento e o transporte, não podem ser deixados a cargo da “mão invisível do mercado”. Há que se ter políticas públicas e de estado fortes nestes setores.

É preciso uma profunda transformação na sociedade brasileira, que desloque o eixo das prioridades do capital para o social, o ser humano e suas relações com a natureza. Só assim, em uma nova sociedade socialista e democrática, participativa e plural, poderemos efetivamente promover as mudanças que atendam às necessidades humanas e não aos interesses financeiros. Fora disso, tudo o mais não passará de paliativo.

Tempo de recomeçar

O Indecente ficou sem voz por um tempo...
Tempo de encerrar o ano de 2010 e aguardar 2011.
Era como se fossemos crianças iniciando o ano letivo e aguardássemos para começar a escrever no caderno novinho, sem nenhuma "orelha"... Depois das férias a gente volta!!!!!
Mas aí veio a grande catástrofe na região serrana. Entre a noite de 11 de janeiro de 2011 e madrugada do dia 12 aconteceu o dilúvio.
A gente aqui no Rio e os amigos e familiares em Friburgo.
A gente vendo tudo pela TVsem saber notícias das pessoas durante 3 dias.
A gente aqui com coração apertado sabendo que tinha sido uma tragédia enorme, pois já havíamos vivido algumas enchentes por lá, mas as imagens, desta vez, mostravam que tinha sido muito pior.
A gente ficou sem voz porque era tempo de agir.
E assim Sylvio foi para Friburgo no dia 17 com uma equipe de engenheiros da UERJ, e eu no dia 21 com a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos do Estado...
Ele levava na bagagem os mapas do Plano Diretor de Nova Friburgo (PDNF), cds com as iamgens de satélite, GPS e uma enorme vontade de poder ser útil aos gestores do município, já que foi o responsável  pela elaboração do PDNF em 2007..
Eu levava a minha disposição em contribuir com as familias desabrigadas na realização do cadastro para o Aluguel Social.
Vimos um ambiente de guerra... destruição por toda a parte. Caramba...
Mas, vimos coisas bacanas acontecendo como a atuação efetiva das Forças Armadas, do Ministério Público, Defensoria, IML, Comlurb, Cruz Vermelha, Bombeiros, Polícia Militar,e a força do voluntariado no resgate das pessoas, na atuação dentro dos abrigos e pontos de entrega das doações.
Infelizmente,  vimos também quanto a mediocridade humana pode ficar tão evidente mesmo num acontecimento desse porte.
Gente levando suas "cestas básicas", em cima do salto alto, com vestido de grife...
Gente usando as doações como campanha política para 2012...
O ego e a vaidade se batendo todo o tempo para mostrar quem manda mais e ficar em evidência para as próximas eleições.
Isso é indecente!
Agora que o fato se deu, mortos e desaparecidos foram contabilizados, a mídia já fez o seu papel, as instituições que fizeram parte da força tarefa vão embora, e ficam apenas os gestores públicos e a população com sua dor... como fica?
Como ficam as famílias que perderam tudo?
Quais terrenos destinados para a construção das casas para uma população que tem esperança de recomeçar a vida com dignidade e em local seguro?
Qual será o planejamento de cidade do futuro?
Se pensará em uma nova forma de desenvovimento urbano de forma sustentável?
Haverá uma política de geração de emprego e renda?
As políticas intersetoriais serão discutidas em favor da população, deixando de lado as vaidades e a ganância do poder?

Pelo que vimos presencialmente em Nova Friburgo esperamos que a sensatez e bom senso prevaleçam em favor das cidades e o povo de toda a Região Serrana do Rio de Janeiro, para que a reconstrução seja de fato um novo modelo de planejamento urbano, visando a justiça social, o desenvolvimento econômico e o respeito a natureza.

Viva 2011 e seus diferentes recomeços!!!

Assim, O Idencente recomeça  2011 (ano regido por Mercúrio, Oxum e o Coelho no horóscopo Chinês) e  poder, de forma modesta, contribuir, junto a outras vozes, para a reconstrução de um tempo melhor para quem está por aqui, por ali e acolá....

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Presidente Lula vai dar a primeira entrevista à blogosfera

Amanhã (quarta-feira) o presidente Lula concederá a primeira entrevista “da história deste país” à blogosfera. Solicitada por um grupo de blogueiros progressistas, ela já tem as presenças confirmadas de: Altamiro Borges (Blog do Miro), Altino Machado (Blog do Altino), Cloaca (Cloaca News), Conceição Lemes (Viomundo), Eduardo Guimarães (Cidadania), Leandro Fortes (Brasilia Eu Vi), Pierre Lucena (Acerto de Contas), Renato Rovai (Blog do Rovai), Rodrigo Vianna (Escrevinhador) e Túlio Vianna (Blog do Túlio Vianna). Outros dois blogueiros buscam desmarcar compromissos para se integrar ao grupo.
O evento acontecerá às 9h da manhã, no Palácio do Planalto, e será transmitido ao vivo pelo Blog do Planalto, pelos blogs que participarão do encontro e por todos que tiverem interesse de fazê-lo. Ainda hoje vamos explicar como isso será possível.
Será uma entrevista coletiva, mas também é um momento de celebração da diversidade informativa. Ao abrir sua agenda à blogosfera o presidente demonstra estar atento às transformações que acontecem no espaço midiático e ao mesmo tempo atesta a importância dessa nova esfera pública da comunicação.
 Como as coisas na blogosfera são diferentes e mais colaborativas, não serão só os presentes ao encontro que participarão. A coletiva será aberta ao público que poderá participar enviando perguntas pelo chat. O objetivo é garantir o maior grau possível de interatividade.
Por conta dos senões da agenda presidencial, só agora nos foi confirmado o evento e liberada a divulgação. Por isso temos pouco tempo para nos organizar e produzir a repercussão que a entrevista merece.
 Contamos com vocês nessa tarefa: divulgando, transmitindo em seus blogs e fazendo perguntas pelo chat.
 A blogosfera dá mais um passo importante.
 Um passo “nunca dado na história deste país”.

Fonte: Blog do Rovai

sábado, 20 de novembro de 2010

Rede Globo, CBF e Corinthians tudo a ver!



O árbitro Carlos Eugênio Simon foi mais uma vez “sorteado” para apitar um jogo do Corinthians. Desta vez para a decisiva partida deste Domingo contra o Vitória-BA em Salvador. O Corinthians venceu apenas quatro partidas fora de casa nesse campeonato brasileiro, em três delas o juiz foi Simon. Coincidência? Sim pode ser. Falarei sobre isso mais adiante.

Sobre o jogo de sábado passado, contra o Cruzeiro, adversário direto na luta pelo título, em que o Corinthians venceu com um gol de pênalti aos 43 minutos do segundo tempo da partida, a rede Globo preferiu reduzir sua cobertura ao pênalti polêmico [sic] assinalado a favor do clube paulista. No entanto, houve muito mais polêmica nesse jogo. Os impedimentos inexistentes assinalados contra o Cruzeiro ou ainda os dois lances de pênalti a favor da Raposa, não marcados pelo árbitro da partida, são exemplos disso.

Alguns números do campeonato brasileiro colocam sob suspeita a tese da coincidência e da simples polêmica. Senão vejamos: em relação ao número de pênaltis marcados o Corinthians teve 11 a favor, enquanto seus adversários diretos na luta pelo título, Fluminense e Cruzeiro, somados, tiveram apenas 9, o Tricolor com 4 e a Raposa com 5.

Se analisarmos os pênaltis marcados contra cada um destes três clubes, a situação se inverte: o Corinthians teve 2 pênaltis marcados contra em 35 partidas, enquanto Fluminense e Cruzeiro juntos tiveram 8 pênaltis assinalados contra eles.

Se fôssemos criar um saldo de pênaltis marcados a favor e contra, a situação ficaria da seguinte forma: Corinthians, saldo positivo de 9 pênaltis. Fluminense, saldo positivo de 3 pênaltis e Cruzeiro, saldo negativo de 2 pênaltis.

Esses números demonstram o que mais uma ficou evidenciado no jogo entre Corinthians e Cruzeiro do último sábado: em jogadas onde cabe a interpretação, ou mesmo a imaginação dos árbitros, as decisões sempre têm favorecido o clube paulista. Mas esse raciocínio teria fundamento? Quais seriam os motivos? Quem teria interesse nisso?

Nunca é demais lembrar que Andrés Sanches, presidente do Corinthians, foi o chefe da delegação da seleção brasileira na África do Sul, escolhido pelo presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Sanches foi também o principal apoiador e candidato a vice de Kléber Leite à presidência do Clube dos 13. Leite que também era o candidato de Ricardo Teixeira e da CBF. Simon, Sanches e Teixeira conviveram longo período na África do Sul, uma vez que o árbitro gaúcho foi o juiz brasileiro na Copa.

Com relações tão próximas, não foi de se estranhar que a CBF escolhesse um estádio que sequer existe, que dele se conhece apenas uma maquete, que não tem projeto e nem fonte de financiamento, para ser o palco da abertura da Copa de 2014. A escolha do possível futuro estádio do Corinthians provocou ácidas críticas na imprensa internacional, questionando a seriedade da CBF na organização da Copa do Mundo.

O estado de São Paulo tem um estádio pronto, o Morumbi. Estádio com capacidade de público para receber a abertura da Copa do Mundo, necessitando para isso de reformas, como o Maracanã ou o Mineirão. No entanto, o estádio pertence ao São Paulo Futebol Clube, presidido por Juvenal Juvêncio, desafeto de Teixeira. Sobre os negócios da CBF e Ricardo Teixeira na organização da Copa do Mundo no Brasil, o Lance!net publicou a seguinte matéria: http://www.lancenet.com.br/copa-do-mundo/Ricardo-Teixeira-lucros-COL-Copa_0_373162928.html.

Voltando ao assunto Corinthians, neste ano de 2010 o clube paulista completou 100 anos. Para comemorar o centenário na Avenida Paulista, o time teve uma partida do campeonato brasileiro adiada pela CBF. Será que clubes como Atlético-GO, Ceará ou Avaí receberiam esse pequeno favor?

Todos sabemos que o Corinthians é um clube de massa. Ninguém despreza a força econômica do estado de São Paulo e da torcida corinthiana, que movimenta uma ampla gama de recursos no lucrativo negócio que se tornou o futebol profissional. Transmissões de TV, patrocínios, direitos de imagem, negociações de atletas – que podem ser valorizados através de convocações para a seleção brasileira, que é treinada, coincidentemente, por um ex-técnico do Corinthians, entre outros.

E assim, como em 2005, de polêmica em polêmica, de erro de arbitragem em erro de arbitragem, o Corinthians chega a três rodadas do final do campeonato brasileiro de futebol com muitas chances de conquistar o título no ano do seu centenário. Assista ao vídeo sobre como isso foi possível em http://www.youtube.com/watch?v=hghV3UBxkuA&feature=player_embedded. Rede Globo, CBF e Corinthians tudo a ver!

Brasil República em 7 minutos


Fonte: Comédia MTV

Por que cresce o ódio racial da elite branca

Apesar das negativas da grande imprensa, é inegável que nos últimos anos o Brasil começou a operar uma forte distribuição de renda de um grupo étnico minoritário e privilegiado para outro amplamente majoritário e eternamente prejudicado na divisão da riqueza.
Por estar a serviço do setor privilegiado – pois, em última instância, pertence a ele –, a mídia corporativa meramente canaliza um sentimento de “revolta” de classe e racial desses setores da sociedade que, até há pouco, vinham ganhando a luta de classes – que alguns tentam apresentar como anomalia ou desejo de grupos políticos, mas que, em um país tão injusto, é mera conseqüência de sua realidade social.
Estudo recente, pois, explica o ódio da elite branca contra um governo que desencadeou esse necessário processo redistribuidor de renda em prol da maioria étnica brasileira que sempre ostentou condições de vida infinitamente piores do que as de uma casta branca e descendente de europeus.
Data Popular é uma instituição que, segundo diz sua mensagem institucional, dedica-se a produzir “Conhecimento de qualidade sobre o mercado popular no Brasil”. Ao entrar no site, a mensagem institucional inicial esclarece a que ele se dedica:
Bem-vindo ao mundo do carnê, do consórcio, do SPC.
Bem-vindo ao mundo do metrô, do buzão, da lotação, da CBTU, do seminovo zerado.
Bem-vindo ao mundo do vale-refeição, do PF e da marmita.
Bem-vindo ao mundo do supletivo, da escola de cabeleireiro e do curso de computação.
Bem-vindo ao mundo do celular pré-pago, da megasena.
Bem-vindo ao mundo do trabalho informal, da pensão do INSS, do despertador pras 5,
da mobilidade social.

Bem-vindo ao mundo do Ratinho, Raul Gil, Bruno & Marrone, Banda Calypso, Calcinha Preta, MC Leozinho e da Rádio Tupi.
Bem-vindo ao mundo do supermercado com a família, da cervejinha gelada, da macarronada com frango, do financiamento da Caixa.
Bem-vindo ao mundo surpreendente da economia da base da pirâmide.
O trabalho mais recente do Data Popular, concluído nesta semana, busca prover com dados científicos o crescente interesse de grandes empresas por esse segmento em ascensão social, segmento no qual os negros sobressaem.
A renda da população negra no país atingiu R$ 544 bilhões. Segundo estudos recentes, desde 2007 a renda média per capita do negro cresceu 38% – o dobro da renda média do branco, que teve alta de 19% no mesmo período.
A última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), feita pelo IBGE, deixa ver claramente como durante o governo Lula essa parcela amplamente majoritária – e “afrodescendente” – da população brasileira começou a ser resgatada da injustiça social em que foi mantida durante o século XX.

Segundo Renato Meirelles, sócio-diretor do instituto de pesquisa Data Popular, o “enriquecimento” dos negros é resultado do aumento da renda da população da base da pirâmide de renda do país: “tem mais negros nas classes C e D, que teve aumento maior de renda que nas classes A e B [no período analisado]”.
Esse estudo não precisaria ter sido feito para que os beneficiados pelo processo redistribuidor  de renda percebessem-no.  Quem está comprando mais bens de consumo durável, vestuário, alimentos, ou que está chegando a universidades na condição de primeiro universitário da família, bem sabe o que lhe está acontecendo – e inclusive votou para manter esse processo.
Além de subsidiar empresas interessadas no mercado de consumo de massas que o governo do PT fez surgir, o estudo serve para finalmente calar os que tentam atribuir tal processo a governos que trataram de impedi-lo ou àqueles que tentam negar que tal processo esteja ocorrendo.

Fonte: Blog da Cidadania

Os Mulheres Negras - Eu vi

Linhagem - Música: Jorge Ben - Zumbi

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

18 de Novembro, tal dia como o de hoje

Novembro 18, 2010 por Fundação José Saramago
Tal dia como o de hoje nasceu José Saramago segundo o registo civil. Mas já sabemos que as actas oficiais também podem distorcer a realidade, porque a verdade verdadeira é que José Saramago nasceu no dia 16 de Novembro. De qualquer forma, temos duas datas para festejar o nascimento de um imprescindível do nosso tempo. Hoje, para além disso, cumprem-se cinco meses sobre a morte de José Saramago. Recordaremos a sua vida celebrando-a e agradecendo a sua contribuição para a literatura, para o pensamento e para o processo de humanização que devemos seguir para ser verdadeiramente humanos, o que quer dizer, para não aceitar a pobreza, o sofrimento e a ignorância a que milhares de milhões de pessoas estão submetidas neste momento. Um mundo habitado por seres autenticamente humanos não permitiria esse atropelo. A Fundação José Saramago tenta seguir esses passos e partilha com os leitores que se expressaram nestes dias, amigos de alma, um abraço solidário. Que oxalá seja fecundo.
Pilar del Río
*
Nasci numa família de camponeses sem terra, em Azinhaga, uma pequena povoação situada na província do Ribatejo, na margem direita do rio Almonda, a uns cem quilómetros a nordeste de Lisboa. Meus pais chamavam-se José de Sousa e Maria da Piedade. José de Sousa teria sido também o meu nome se o funcionário do Registo Civil, por sua própria iniciativa, não lhe tivesse acrescentado a alcunha por que a família de meu pai era conhecida na aldeia: Saramago. (Cabe esclarecer que saramago é uma planta herbácea espontânea, cujas folhas, naqueles tempos, em épocas de carência, serviam como alimento na cozinha dos pobres). Só aos sete anos, quando tive de apresentar na escola primária um documento de identificação, é que se veio a saber que o meu nome completo era José de Sousa Saramago…
Fui bom aluno na escola primária: na segunda classe já escrevia sem erros de ortografia, e a terceira e quarta classes foram feitas em um só ano. Transitei depois para o liceu, onde permaneci dois anos, com notas excelentes no primeiro, bastante menos boas no segundo, mas estimado por colegas e professores, ao ponto de ser eleito (tinha então 12 anos…) tesoureiro da associação académica… Entretanto, meus pais haviam chegado à conclusão de que, por falta de meios, não poderiam continuar a manter-me no liceu. A única alternativa que se apresentava seria entrar para uma escola de ensino profissional, e assim se fez: durante cinco anos aprendi o ofício de serralheiro mecânico.
Mais tarde, a Biblioteca Municipal das Galveias foi a minha Universidade.
José Saramago

fjs

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A Folha de São Paulo terá acesso aos processos de Dilma na DITADURA MILITAR: Tribunal autoriza abertura de arquivos

O Superior Tribunal Militar (STM) aprovou ontem, 16 de novembro, o recurso do jornal Folha de São Paulo para ter acesso aos documentos do período em que Dilma esteve presa.
Vasculhar a vida de Dilma e ser publicado no jornaleco será um ótimo negócio para eles, não?
Imagine... Os assuntos virão em capítulos para que os leitores torçam em chegar o dia seguinte e saberem mais sobre a guerrilheira, ladra, safada, vadia... (sintam o veneno escorrendo).
Um dia será publicado sobre a guerrilheira que matou e esfolou 30, outro dia estará que Dilma não tinha compaixão, pois era a mentora da guerrilha urbana, assaltava bancos, colocava fogo em repartições públicas e tirava pirulito da boca das criancinhas à mão armada. Tudo isso com requinte de detalhes e letras garrafais estampadas na primeira página.
Eles imaginam o quanto irão vender de jornal tendo argumentos contra a Presidente Dilma e assim, utilizá-los durante os próximos 4 anos. Eles imaginam que tendo embasamento documental, mesmo que seja de uma fonte deturpada, estarão cobertos de razão ao usarem adjetivos que remetam Dilma para este período nebuloso.
A advogada da Folha, Tais Gasparian, disse: “Foi uma vitória da sociedade, mais que uma vitória da Folha de São Paulo. Esses documentos históricos jamais poderiam ser subtraídos. É lamentável que o pedido tenha sido deferido pós eleições
É claro que a sociedade precisa saber sobre este período sujo e vergonhoso da história. Precisamos saber com precisão quantos homens e mulheres morreram na ditadura militar. Precisamos saber onde, quando, como e por quem tantas pessoas que lutaram pela liberdade neste país foram sacrificadas.
Lamentável é que este jornaleco quisesse se valer da referida documentação antes das eleições, com a intenção de mudar o rumo da história, como toda a sua pretensão de escudeiro da moral e dos bons costumes. Adoraria saber da documentação do Serra que também se diz vítima da ditadura...
Podemos lembrar que a Folha financiou e participou diretamente da conspiração golpista para derrubar o João Goulart, e que suas manchetes raivosas traziam a tona o “perigo comunista”, invocando a intervenção militar a fim de impedir o caos.
Podemos lembrar que este jornal tinha parceria com o regime militar, tanto é fato, que emprestava seus veículos ao DOI-CODI para transportarem pessoas até a OBAN (Operação Bandeirantes) para serem torturadas.
Será uma vitória da sociedade, Sª Taís, quando tivermos em mãos os arquivos do DOI-CODI para termos conhecimento, por exemplo, que o presidente do Grupo Folha era um dos financiadores da OBAN, o que quer dizer, financiador da tortura e da morte.
Será sim, uma vitória do povo brasileiro quando forem abertos todos os arquivos de todas as vítimas, e soubermos onde estão os corpos dos que foram mortos, e assim, entregarmos as suas famílias. Será uma vitória da sociedade quando os nomes de todos os assassinos e seus financiadores estiverem nos livros didáticos, para que as futuras gerações saibam quem foram aqueles que defenderam a ditadura militar neste país.
Queremos ter conhecimento do passado nefasto do Grupo Folha e seu envolvimento com a ditadura militar e assim, de vez por todas, sabermos que a “ditabranda” (terminologia utilizada num editorial da Folha no dia 17 de fevereiro para se referir ao regime militar que governou o Brasil entre 1964 e 1985) não é para ser esquecida e que de fato, possamos identificar os responsáveis pelos crimes da repressão política.
Queremos verdade e justiça!
ABAIXO A DITABRANDA !!!!

O escândalo da "ditabranda"

Política para as Mulheres e Mulheres na Política


Em entrevista à CartaCapital a cientista social Tatau Godinho faz uma análise da situação da mulher na política, fala sobre desigualdade de gêneros e da postura da oposição diante de uma mulher na presidência
Desde o início da campanha eleitoral Dilma Rousseff gerou uma expectativa entre as mulheres brasileiras em relação à questão feminina na política. Passado o segundo turno e conhecido o resultado, o Brasil ganha uma mulher como presidente, a primeira da história, eleita com 56% dos votos válidos contra 44% para o oponente José Serra.
Para fazer uma análise dos ganhos da população feminina com a eleição de Dilma à presidência, o site de CartaCapital entrevistou a cientista social dedicada à temática do feminismo e política, Tatau Godinho. Ela acredita que “as questões relacionadas aos direitos das mulheres vão ser colocadas na agenda política de forma muito mais cotidiana”. Mas isso também depende de uma presença mais forte do movimento de mulheres para que sejam feitas mudanças no sentido progressista. E avisa: “o campo da oposição provavelmente se apoiará em uma agenda conservadora em relação aos direitos das mulheres, como já ocorreu nas eleições.”
A Paula Thomaz
CartaCapital: Como você vê a situação da mulher hoje na política em termos de participação e de políticas voltadas ao gênero feminino?
Tatau Godinho
: A presença das mulheres na política tem aumentado nos últimos anos. Em termos de políticas públicas, questões específicas voltadas à saúde das mulheres, o combate à violência e mesmo uma ampliação nos horizontes profissionais têm sido alvo de atenção dos governantes. Mas uma alteração mais profunda nas desigualdades entre homens e mulheres ainda está por vir.
Quanto à participação, no entanto, os espaços da política mais institucionalizados ainda são um gueto masculino. Fala-se muito na necessidade da presença das mulheres, mas o fato é que direções dos partidos, no parlamento, nos cargos executivos e de direção, as mulheres ainda aparecem como uma exceção.
E isso reflete uma realidade presente em, praticamente, todas as outras áreas da sociedade. O comando das empresas, as direções dos jornais, de outros meios de comunicação, por exemplo, ainda são lugares onde a presença das mulheres é quase simbólica.
CartaCapital: Existem mais mulheres que homens no Brasil, a mulher é responsável, em muitos casos, pela educação dos filhos, tem contribuição efetiva na sociedade, tem um dia internacional dedicado a ela. Por que quando se trata de política tudo isso parece se reduzir?
TG
: A ampliação da presença das mulheres no mundo público, isto é, fora do âmbito da família, continua totalmente vinculada a uma sobrecarga colocada sobre elas em relação ao cotidiano, à vida familiar, ao cuidado com as pessoas. As mulheres assumem novas tarefas, mas muito pouco se alterou nas relações de poder. E a política é o espaço concentrado das dinâmicas de poder na sociedade. É ali que são definidos boa parte dos grandes grupos de interesses, dos destinos dos países. Obviamente, as disputas políticas não ocorrem apenas nos espaços tradicionais ou institucionais. Mas é um sintoma da fragilidade da democracia a exclusão tão recorrente das mulheres.

CartaCapital: Quais os avanços poderão ser conquistados pelas mulheres, na política, com a eleição de Dilma Rousseff à presidência da República?TG: Sem dúvida uma mulher na Presidência da República já representa, de saída, uma quebra de barreiras. O principal cargo político do país é uma referência necessária para os debates, as articulações políticas, para as mais diversas áreas em torno das quais a sociedade se mobiliza. Tem uma influência importante, também, no imaginário social em relação às mulheres. Mas as mudanças mais concretas, em termos de políticas, dependem da insistência que a presidenta tiver em fortalecer uma agenda voltada para a igualdade. As questões relacionadas aos direitos das mulheres vão ser colocadas na agenda política de forma muito mais cotidiana. E é muito importante uma presença mais forte do movimento de mulheres para que isso seja feito em um sentido progressista. O campo de oposição, provavelmente, se apoiará também em uma agenda conservadora em relação aos direitos das mulheres, como já ocorreu nas eleições. Por isso, para garantir um avanço, acredito que seja necessário que a sociedade se mobilize no sentido de possibilitar um efetivo avanço de direitos. Dilma Rousseff tem um histórico de atuação rompendo espaços em áreas muito fechadas às mulheres e, acredito, que isso dará a ela uma boa experiência de como lidar em um ambiente adverso.
CartaCapital: O que muda na bancada feminina no Congresso com a eleição de Dilma?
TG:
As deputadas e senadoras têm uma oportunidade inédita de fortalecer sua voz no Congresso. Mas é preciso se apoderar dos sinais indicados pela futura presidenta, de que valoriza o aumento da participação política das mulheres, e consolidar novas lideranças nas disputas concretas que compõem o dia a dia do Congresso. Esse é um momento privilegiado para que as parlamentares mulheres reforcem sua presença e, mais especialmente, para que a bancada feminina apareça como uma forte articuladora de reivindicações de políticas que incidam sobre a desigualdade entre mulheres e homens. Para isso é necessário que a atuação se paute por uma plataforma ampla, que não fique apenas em temas de menor incidência, ou nas áreas que são consideradas tradicionalmente mais receptivas à participação das mulheres. Há questões fundamentais em relação ao mundo do trabalho, no âmbito da política econômica e de desenvolvimento, da previdência, ou a reforma política e partidária, como mencionado anteriormente, que são muito importantes. Isso vai depender da atuação das parlamentares comprometidas com essa agenda. Ampliar o número de mulheres é muito importante, mas mudanças reais para as mulheres só ocorrerão se isso se combina com uma agenda de propostas e reivindicações para alterar as condições de desigualdade e discriminação vividas pelas mulheres.

CartaCapital: Em reunião de transição dos ministérios na segunda-feira 8, Dilma anunciou que quer mais mulheres no primeiro escalão do governo. O que achou dessa atitude da presidente?
TG:
É muito positivo que Dilma tenha acenado, logo de início, com a importância de ter uma presença maior das mulheres em cargos chaves do governo. Com certeza os partidos vão resistir. Afinal, dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Nem na física nem na política. E a concentração masculina nas redes de direção é brutal. Não são apenas os dirigentes partidários. Isso inclui os quadros do parlamento, das direções sindicais, das universidades ou outras entidades da sociedade. A insistência da presidenta em compor um governo com maior presença de mulheres obrigará os partidos, e toda a sociedade, a discutir a questão.

Em outros países, houve um processo semelhante. Como na Espanha, por exemplo. E isso cria, de fato, possibilidades de mudanças.
CartaCapital: Falando de gênero, para você as mulheres são iguais aos homens, têm necessidades específicas ou lhes faltam alguns privilégios concedidos aos homens?TG: Quando se fala em igualdade entre mulheres e homens, o sentido é a igualdade social e política. É evidente que na sociedade os homens têm imensos privilégios em todos os âmbitos: renda mais alta, acesso a melhores postos e empregos, mais tempo de lazer, dominam os espaços de poder político e econômico na sociedade. E isso se articula com todas as vantagens que têm no campo da vida pessoal e familiar, em relação ao cuidado com os filhos, ao trabalho doméstico, e nas questões ligadas à sexualidade. É isso que é preciso mudar. Há um pensamento conservador que atribui às mulheres um papel centrado na maternidade e na família. Isso é cultivado. É um mecanismo que justifica a falta de responsabilização masculina. Assim os homens ficam livres para o poder, enquanto as mulheres cuidam da sobrevivência. É essa a divisão que precisa ser superada na sociedade. Naturalizar o papel das mulheres na família, na maternidade, nas funções do cuidado é negar às mulheres a posição de igualdade e racionalidade e, em última instância, deixar as funções de direção e poder efetivos da sociedade, a elaboração da cultura e da ciência para os homens.
CartaCapital: Chegaremos a um dia em que a desigualdade de gêneros será superada?
TG:
Eu acredito que sim. Para uma superação efetiva das desigualdades é preciso uma mudança mais geral. A sociedade capitalista absorve e rearticula as relações de dominação compondo uma dinâmica de desigualdade que favorece a exploração, a concentração de renda, a manutenção de padrões de opressão em diversos níveis. A superação da desigualdade de gêneros é uma perspectiva libertária, de uma sociedade livre com seres humanos vivendo em plenitude suas capacidades. E isso exige a mudança do modelo de sociedade atual, em que as desigualdades são parte da organização necessária das relações sociais. Mas isso não significa jogar as reivindicações para um futuro distante e abstrato. É preciso investir para que as mudanças sejam implantadas desde agora. Toda mudança é um processo político e social que envolve também conflitos. E nós não podemos deixar de enfrenta-los.

CartaCapital:Qual tem sido a importância da Secretaria de Políticas para Mulheres desde a sua criação?
TG
: A criação da Secretaria de Políticas para as Mulheres foi uma iniciativa muito importante do governo. Ela buscou construir uma agenda para todo o governo. Em algumas questões, como a proposta de implantar uma política de combate à violência sexista, os avanços são mais claros. Em outras áreas, ainda há muito o que fazer. Os esforços da SPM em coordenar um plano geral de políticas para as mulheres são significativos e as dificuldades são muito grandes. É necessário uma consolidação maior dessa política no próximo governo.

CartaCapital: Como você acredita que a sociedade brasileira enxerga a falta do primeiro cavalheiro ao lado de Dilma?
TG
: Essa é uma discussão que demonstra o grau de conservadorismo na sociedade. Afinal, a discussão só existe porque os espaços de poder são considerados lugares para os homens e não para as mulheres. O cargo de primeira-dama é a pior simbologia do atraso em relação às mulheres: significa que o lugar para elas é de esposa, e não de dirigente. É a reafirmação de que para as mulheres o espaço legítimo é o mundo privado e não a esfera pública, como é o caso da política. Além do mais, isso ainda se combina com o clientelismo que enxerga a política de assistência social como caridade e não como direito!

Chama a atenção o quanto mesmo os setores pretensamente mais modernos da sociedade reforçam esse papel e esse lugar para as mulheres. E, inclusive, criticam as mulheres que se recusam a aceitar esse papel. Que, sendo mais informal, é tudo de atrasado, de medíocre e de “brega”.
Uma mulher na presidência tem, além de tudo o mais, a vantagem de nos livrar dessa discussão.
CartaCapital: Chamar Dilma de presidente ou presidenta faz diferença?
TG: É uma questão simbólica. Não é decisiva mas possibilita marcar o significado da eleição de uma mulher para a presidência. E forçar um pouquinho a Língua Portuguesa a se adaptar a um mundo de homens e mulheres também nos cargos, carreiras e funções antes ocupados apenas por homens.